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A
palavra estatística, derivada do termo latino «status» (estado),
parece ter sido introduzida na Alemanha, em 1748, por Achenwall. A
Estatística é encarada, actualmente, como uma ciência capaz de
obter, sintetizar, prever e tirar inferências sobre dados. Porém no
século XVII em Inglaterra a estatística era a «Aritmética do Estado»
(Political Arithmetic), consistindo basicamente na análise dos
registos de nascimentos e mortes, originando mais tarde as primeiras
tábuas de mortalidade. Ao longo da Idade Média e até ao século XVIII
a estatística foi puramente descritiva, coexistindo duas escolas: a
escola descritiva alemã, cujo representante mais conhecido é o
economista G. Achenwall (1719-1772), professor na Universidade de
Gottingen, considerado pelos alemães como o pai da estatística, e a
escola dos matemáticos sociais que procuravam traduzir por leis a
regularidade observada de certos fenómenos, de carácter económico e
sociológico. Embora esta escola procurasse fundamentar a formulação
de previsões com base em leis sugeridas pela experiência, a
estatística confundia-se, praticamente, com a demografia à qual
fornecia métodos sistemáticos de enumeração e organização. Na
realidade, a necessidade sentida, em todas as épocas, de conhecer,
numérica e quantitativamente, a realidade política e social tornou a
análise demográfica uma preocupação constante.
John Graunt (1620-1674), juntamente com William Petty (1623-1687),
autor de Political Arithmetic, e o astrónomo Edmond Halley
(1656-1742) são os principais representantes da escola inglesa, que
dá um novo impulso à estatística, fazendo-a ultrapassar um estádio
puramente descritivo: analisam-se os dados na procura de certas
regularidades, permitindo enunciar leis e fazer previsões.
No
entanto, a estatística para adquirir o estatuto de disciplina
científica nomo tética, e não puramente ideográfica ou descritiva,
teve que esperar pelo desenvolvimento do cálculo das probabilidades,
que lhe viria a fornecer a linguagem e o aparelho conceptual
permitindo a formulação de conclusões com base em regras indutivas.
Data do século XVII o início do estudo sistemático dos problemas
ligados aos fenómenos aleatórios, começando a ser manifesta a
necessidade de instrumentos matemáticos, aptos a analisar este tipo
de fenómenos, em todas as ciências que põem o problema do tratamento
e interpretação de um grande número de dados. Pode datar-se dos fins
do século XIX o desenvolvimento da estatística matemática e suas
aplicações, com F. Galton (1822-1911), K. Pearson (1857-1936) e W.
S. Gosset (1876-1936), conhecido sob o pseudónimo de Student, sendo
lícito afirmar-se que a introdução sistemática dos métodos
estatísticos na investigação experimental se fica a dever,
fundamentalmente, aos trabalhos de K. Pearson e R. A. Fisher
(1890-1962). A partir de Pearson e Fisher o desenvolvimento da
estatística matemática, por um lado, e dos métodos estatísticos
aplicados, por outro, têm sido tal que é praticamente impossível
referir nomes.
Texto retirado de:
H:\Historia da Matematica\estatistica.htm |